ੴ Era uma vez ...

Naquele mundo, ela era a princesa.
E como toda princesa, ela tinha um principe encantador, todas as outras mulheres do reino arregalavam os olhos quando ele passava. Mas quem sempre o esperava era ela.
Tinha como coringa uma criança bem mimada chamada Medo. Era virar e mexer ele gritava, chorava, esperneava tudo no colo dela. E ela sem saber o que fazer, por muito tempo chorou junto, aguentou os berros sem tampar os ouvidos e sentia os chutes das pernadas dele... até que sentou ao lado dele, agachou para ficar do mesmo tamanho e conversou com voz macia e ponderada o quanto ele não era normal, e o que ela queria mesmo era não precisar mais ouvir ele, porque ele não a fazia bem.
Explicou-lhe todos os motivos e, ele mimado, não prestou muita atenção, mas no fim ele dormiu por várias noites sem gritar.
Habitava em um singelo castelo que não era muito, ao seu ver, do jeito que queria mas ficava feliz por ter recordações de muitos anos naquele lugar.
Seu agrádavel ímpeto para realizar suas tarefas havia voltado depois de uma longa jornada no meio de traumas e depressões por acontecimentos passados, e seu amor continuava a ressurgir do ponto que não tinha mais o porque se tornar a flor da pele. Voltou a estar a flor da pele.
Seu assunto preferido era poder ter assunto. Curiosa, minusiosa. Vivia cheia de detalhes em sua mente, cheia de idéias e de vontades.
Seu melhor jeito de saber era quando podia sentir. Tinha vontade de sentir. Sentir seu princípe ao seu lado nu respirando, sentir o abraço, o afago de pessoas do reino, sentir, sentir sentir.
Queria respirar sentindo cada molécula de ar que entrava e cada molécula que saia. Sentir o calor na pele com apenas um biquini, sentir a area da praia com todo o corpo mesmo que fosse horrível tirar tudo depois, sentir as conchas tão pequenas e delicadas, sentir o seu mundo como se ela fosse um pedacinho muito pequeno dele...
Não falava muito. Pouco dizia, mas quando dizia era porque sabia. A vontade de falar nunca a deixava, queria ter dito alguma coisa, nada importante talvez, mas alguma coisa queria.
Desejava alcançar poucas e pequenas coisas para que pudesse não desejar nada. Gostava das coisas acontecendo, e serem livres para acontecer. Planos e metas eram algo para curto prazo, para longo só o que seria essencial para que pudesse manter o anseio de não planejar muita coisa.
Amava com todo o coração, com todo o corpo e alma. Amava amar. De forma grande, da forma que pudesse dizer sem vergonha, de forma que pudesse abraçar e envolver com seu amor.
Seu olhar expressivo sempre verdadeiros não consiguiam esconder muita coisa.
Nunca lembrava de que podiam ler seus olhares até que ela não desejou mais esconder nada, deixou os olhos falarem mais que a própria boca.
Era uma princesa muito feliz, no seu mundo, no seu canto, do seu jeito.

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