somebody else's thighs

Invadiu minha intimidade a fórceps. Entrou sorrateiramente na minha casa de madrugada, me encontrou dormindo, falou meia dúzia de putarias no meu ouvido, não foi mais embora.
No dia seguinte tinham coisas espalhadas pelo meu quarto, textos devassados, pintas numeradas e o nome completo de todos os meus ex namorados.
Ele sabia de tudo.
Eu preciso de espaço, gritava embaixo do meu edredom, pernas entrelaçadas.
Eu preciso ficar sozinha.
Eu preciso de silêncio.
Eu não preciso de ninguém.
Eu dizia em seu ouvido enquanto as minhas mãos apertavam a sua nuca.
Meses depois ele estava entranhado em mim como uma doença.
E foi desse jeito, que em uma segunda-feira qualquer, ele levou embora todos os papeis onde eu tinha escrito seu nome.
Pelo menos não me deixou provas de nada.
Porque eu só funciono em palavras, querido.

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